“Livres!”
Texto Básico: João 8.36. Se, pois, o Filho vos
libertar, verdadeiramente, sereis livres.
Essa é uma daquelas perguntas
que, quanto mais a gente mexe, mais camadas aparecem. Frequentemente, a ideia
de "libertação" no contexto religioso é mal compreendida como
uma lista de "pode ou não pode", quando, na verdade, o
Evangelho se propõe a algo muito mais profundo: uma mudança de DNA
existencial.
Aqui está uma reflexão sobre o que essa liberdade realmente
significa na prática:
1. A Libertação do "Ter
que Merecer" (Performance) Talvez o maior cárcere humano seja a
necessidade de provar o próprio valor. Vivemos em uma cultura de mérito: você é
o que produz, o que conquista ou o que aparenta.
Jesus nos liberta da tirania
da performance. Ele diz que o amor de Deus não é um salário pelo nosso bom
comportamento, mas um presente baseado na identidade de quem O dá. Quando você
entende que já é aceito, para de viver para ser amado e passa a viver porque
é amado. Isso mata o perfeccionismo doentio.
2. A Libertação do Peso do
Passado (Culpa) Muitos de nós carregamos "cadáveres" de
erros antigos nas costas. A culpa é uma âncora que nos impede de navegar.
A liberdade cristã não é um esquecimento
seletiva, mas uma redenção. O Evangelho nos liberta da condenação,
transformando nossas cicatrizes em sinais de cura, em vez de motivos de
vergonha. É o fim do ciclo de autopunição: se a instância máxima do universo
que é Deus, te perdoou, quem é você para continuar se torturando?
3. A Libertação da Opinião Alheia (Identidade) Vivemos
escravos do olhar do outro. Buscamos validação em curtidas, elogios ou status
social.
Ao nos ancorar em uma verdade
eterna, o Evangelho nos dá uma espinha dorsal. Se a sua identidade está
definida por quem te criou, o que o mundo diz a seu respeito perde o poder de
te destruir. Você se torna livre para ser autêntico, pois não precisa mais de
máscaras para ser aceito em "clubes" humanos.
4. A Libertação do Medo
(Futuro e Morte) O medo é o maior carcereiro da humanidade. Medo de faltar,
medo de falhar, medo de morrer.
A "Boa Nova" (que é o
significado literal de Evangelho) traz a perspectiva da eternidade para o
agora. Ela nos liberta do pânico existencial. Saber que existe um propósito que
atravessa o tempo e que a morte não é um ponto final, mas uma vírgula, permite
que a gente viva com uma coragem que não vem de nós mesmos.
Em resumo: Jesus não nos
libertou para fazermos o que queremos (isso seria apenas trocar de vício), mas
nos libertou para sermos quem fomos criados para ser. É a liberdade de
um pássaro que finalmente encontra o céu, ou de um peixe que volta para a água.
Não é ausência de limites, é a presença do propósito.
"A liberdade não é a ausência de um senhor, mas a
descoberta do Senhor certo."

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