Seduzidos

 


Seduzidos

Texto Básico: 2 Coríntios 11.1-4.

Texto Devocional: 2Co 11:3 Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo.

Introdução: Podemos tirar lições para as nossas vidas, usando como referência do sonho de John Bunyan.  Bunyan escreveu O Peregrino durante sua prisão na Inglaterra (1660–1672). Ele foi preso porque pregava o evangelho sem autorização da Igreja Anglicana, algo proibido na época. Na prisão, enfrentando sofrimento e incerteza, Bunyan escreveu essa obra como uma alegoria da vida cristã, mostrando a caminhada do crente desde a conversão até a salvação.

O Peregrino de John Bunyan:

A sedução no caminho do Peregrino: Durante sua jornada rumo à Cidade Celestial, o Peregrino (Cristão) enfrenta não apenas perseguições e sofrimentos, mas também seduções sutis, que buscam desviá-lo do caminho estreito.

Uma das seduções mais marcantes acontece quando ele encontra personagens que usam palavras suaves, aparência agradável e promessas atraentes, mas cujo objetivo é afastá-lo da verdade. Essas seduções não são necessariamente violentas ou escancaradas, mas enganosas, apelando para o conforto, o orgulho e o desejo de um caminho mais fácil.

Em especial, Bunyan mostra que:


  • A sedução disfarça o erro com aparência de verdade
  • Ela oferece atalhos espirituais, evitando a cruz e a renúncia
  • Ela procura encantar o coração, antes de aprisionar a alma

 

O Peregrino aprende que nem todo convite agradável vem de Deus e que discernimento espiritual é essencial. Ao perceber o engano, ele reconhece seu erro, arrepende-se e retorna ao caminho correto, entendendo que a fidelidade a Deus exige vigilância constante.

Algumas lições: A sedução no caminho do Peregrino ensina que o maior perigo nem sempre é a dor, mas o engano que parece bom. O cristão precisa caminhar atento, guiado pela Palavra, sabendo que o inimigo muitas vezes atua com sutileza.

A preocupação Paulina:

Paulo denuncia a sutileza dos falsos apóstolos, que como a serpente, encontrou alguns que deram ouvidos a suas mentiras diabólicas. A igreja de Corinto enfrentava forte influência cultural grega: eloquência, filosofia e orgulho intelectual.

Falsos apóstolos haviam se infiltrado na igreja, questionando a autoridade de Paulo e apresentando um “evangelho” sofisticado, porém distorcido (2Co 11.4,13).

Paulo escreve de forma defensiva e pastoral, revelando sua preocupação com a fidelidade espiritual da igreja.

No capítulo 11, Paulo usa uma linguagem irônica chamada de “loucura”, defendendo seu apostolado. 2Co 11:1 Tomara que me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda.

Ele se apresenta como alguém que zelava pela igreja como um pai espiritual (v.2). 2Co 11:2 Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo.

A Origem do Zelo de Paulo – zelo de Deus

Em primeiro lugar: Não é ciúme humano, carnal ou possessivo, é um zelo que nasce do próprio caráter de Deus (Êx 34.14). O verdadeiro ministério é movido por amor santo e responsabilidade espiritual. Nem todo zelo é santo, mas todo zelo que vem de Deus protege a verdade.

Paulo fala do seu trabalho de preservar a virgindade da Igreja que está comprometida com o seu Senhor; a figura que Paulo usa é de um eunuco responsável pela preparação das comprometidas do rei.

Pois a qualquer momento, o Grande Rei irá nos chamar a sua presença; (Ap 19:7 Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.) assim a preocupação de Paulo é que todos estejam preparados para atender o chamado, o último chamado. “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro....” (Ap 19:9b)

Em segundo lugar: Precisamos estar atentos, não durmamos como alguns; mas sejamos sóbrios para não sermos enganos pelo canto da velha serpente, lembre-se que ele é tão abusado que tentou o nosso amado Jesus, mas foi vencido! Aleluia!

O inimigo de nossas almas vai tentar copiar a voz do Bom Pastor, porém Jesus deixou claro que as suas olhas conhecem a sua voz. Jo 10:4 E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

O versículo 3 revela o temor central de Paulo: o desvio do coração da igreja.   Alertar a igreja contra o engano doutrinário proteger a pureza da fé em Cristo, demonstrar que o erro nem sempre é grosseiro, mas sutil e persuasivo.

Em terceiro lugar. O método do inimigo: O engano sutil “assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia

Paulo usa a referência direta a Gênesis 3, a serpente não negou Deus frontalmente; ela deturpou a Palavra de Deus passando a ideia que Deus estava enganando Adão e Eva; a astúcia consiste em misturar verdade com erro. Nem todo discurso religioso é bíblico; nem toda eloquência é espiritual.

Não conseguimos vencer essa guerra com armas convencionais, mas com as espirituais em Deus (2Co 10:4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;) Sem esse acesso fica impossível vencer, pois o mundo chegara com uma proposta de milhões; as suas sutilezas, são maquiadas para esconder a sua verdadeira face.

Posso citar a investida de Dalila ao persuadir o desavisado Sansão, v15-16. Protestou-lhe Dalila: “Como podes dizer que me amas se o teu coração não está comigo? Três vezes me fizeste de tola e não me fizeste saber a verdade sobre onde reside a tua grande força!” 16. Como todos os dias ela o importunasse com sua insistência, ele foi se cansando dia após dia, a ponto de angustiar-se até à morte. (Juízes, 16)

Você já ouviu alguém dizer essa frase? “Prove que me ama”, foi esse jogo emocional que ela usou, quero conjecturar dizendo: No memento que Dalila falava isso, ela provavelmente não estava com o rosto crispado, mas com um rosto melancólico e sensual.

Em quarto lugar. O alvo do engano: a mente. “assim também seja corrompida a vossa mente

O engano começa no pensamento, não no comportamento, uma mente corrompida gera uma fé distorcida (Rm 12.2). O inimigo trabalha primeiro na cosmovisão, (maneira subjetiva de ver e entender o mundo) depois na prática. uma igreja forte é aquela que guarda sua mente pela Palavra. Pv 4:23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.

O resultado trágico: O afastamento de Cristo e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo

Simplicidade” aqui não é superficialidade, mas exclusividade e fidelidade. “Pureza” indica devoção sem mistura. O perigo não é abandonar a religião, mas substituir Cristo por um falso cristo. Quando Cristo deixa de ser o centro, mesmo uma fé ativa pode estar corrompida.

O engano espiritual é antigo e contínuo, a mente é um campo de batalha espiritual e assim a fidelidade a Cristo exige vigilância constante. O verdadeiro evangelho é simples, puro e centrado em Jesus Cristo.

O melhor remédio é ainda a prevenção:


  1. Avaliar todo ensino à luz das Escrituras.
  2. Priorizar a centralidade de Cristo acima de experiências e discursos.
  3. Cultivar discernimento espiritual, não apenas emoção.
  4. Permanecer na simplicidade do evangelho, sem acréscimos humanos.

Conclusão: Paulo nos ensina que o maior perigo da igreja não é a perseguição externa, mas o engano interno. Quando a mente é desviada, o coração se afasta, e Cristo deixa de ser o centro. Permanecer na simplicidade e pureza devidas a Cristo é o chamado contínuo da igreja fiel.Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

 

 

Comentários